Abstract:
Este estudo avaliou a implementação da ferramenta IPCAF (Infection Prevention and
Control Assessment Framework) desenvolvida pela organização Mundial da Saúde (OMS) nos hospitais
provinciais de Moçambique, focado nas componentes essenciais para oferecer serviços de prevenção e controlo
de Infecções nas unidades sanitárias (Us). A pesquisa teve como objectivo geral avaliar os sucessos e os insucessos
da implementação da ferramenta IPCAF nos hospitais provinciais de Moçambique entre os anos de 2021 a 2023.
Material e Metodos: Trata-se de um estudo com abordagem quantitativa, de caráter observacional, descritivo e
transversal, que utilizou dados secundários provenientes das avaliações realizadas anualmente nas unidades
hospitalares. Foram analisadas as informações de sete hospitais provinciais: Matola, Xai-Xai, Inhambane,
Chimoio, Tete, Lichinga e Pemba. Resultados: Os dados revelam uma evolução gradual, embora desigual, na
implementação das práticas de Prevenção e Controlo de Infeções (PCI), com destaque para a melhoria das
pontuações globais obtidas por meio da ferramenta IPCAF ao longo do período estudado. Os hospitais provinciais
de Xai-Xai, Tete e Lichinga apresentaram progressos significativos, passando do nível básico para o nível
avançado de conformidade (Xai-Xai: 355 em 2021 para 650 em 2023; Tete: 374 para 636; Lichinga: 375 para
635). Já os hospitais de Chimoio e Pemba evoluíram do nível básico para o nível intermediário (Chimoio: 394
para 500; Pemba: 394 para 582). O Hospital Provincial de Inhambane progrediu do nível intermediário para o
avançado, enquanto o Hospital Provincial da Matola manteve-se no nível intermediário ao longo dos três anos.
Entre os factores de sucesso identificados, destacam-se os avanços nas componentes de Programa de PCI,
Diretrizes, Educação/Formação e Monitoria e Avaliação, que demonstraram melhorias significativas em várias
unidades. Conclusões: O estudo demonstrou que a implementação do IPCAF em Moçambique teve avanços
relevantes, com melhorias evidentes em vários hospitais provinciais. No entanto, a componente de Vigilância
revelou-se como uma das principais fragilidades, contribuindo de forma expressiva para os insucessos verificados.
Este cenário aponta para a necessidade urgente de políticas e directrizes institucionais claras para o fortalecimento
dos sistemas de vigilância nas unidades sanitárias