Abstract:
O presente estudo teve como objectivo valorar financeiramente as espécies arbóreas comerciais e
sequestro de carbono na Floresta Comunitária de Mudzo, localizada nos distritos de Maganja da Costa e
Mocubela, província da Zambézia, integrando os benefícios de uso directo (exploração de espécies
arbóreas comerciais) e de uso indirecto (sequestro de carbono). Para tal, foi conduzido um inventário
florestal utilizando amostragem estratificada aleatória por aglomerados com uma intensidade amostral de
0,1 %, cobrindo 152 parcelas de 100 × 20 m, em que se mediram todas as árvores com DAP ≥ 20 cm. A
regeneração foi avaliada em subparcelas de 20 × 20 m. A análise da estrutura horizontal recorreu a
parâmetros fitossociológicos (abundância, dominância, frequência, IVI) e a índices de diversidade
florística (Shannon-Wiener e Simpson).
Os volumes total e comercial foram estimados, e o volume das espécies não comerciais foi convertido
em biomassa aérea com base numa densidade média de 0,71 t/m3 e num factor de expansão de 1,74. A
biomassa obtida foi posteriormente transformada em carbono, utilizando um coeficiente de conversão de
0,50. A valoração financeira foi realizada pelo Método do Valor Actual Líquido (VAL), considerando
um horizonte temporal de 20 anos e uma taxa de desconto de 12 %, complementada por uma análise de
sensibilidade a diferentes cenários de preços da madeira.
Os resultados revelam que a floresta produtiva (37.895,12 ha) é dominada por vegetação de Miombo
(76,8 %), com uma diversidade moderada (H’ = 3,53; J’ = 0,77). As espécies Brachystegia spiciformis,
B. boehmii e Julbernardia globiflora concentram mais de 85 % do volume explorável, compondo o
núcleo das 13 espécies comerciais identificadas. O Corte Anual Admissível foi calculado em 10.691,6
m3/ano. A biomassa aérea das espécies não comerciais totalizou 560.882,78 t, equivalentes a 280.441,39
t de carbono. Considerando o preço médio do mercado voluntário (14,60 USD/tCO2), o valor estimado
do carbono sequestrado ascende a 4,10 milhões de USD.
O Valor Actual Líquido (VAL) da exploração madeireira foi de 19,40 milhões de USD, e, somado ao
valor do carbono, o activo florestal totaliza 23,49 milhões de USD. Todos os cenários testados
mantiveram o VAL positivo, embora se tenha verificado uma sensibilidade significativa ao preço da
madeira e à taxa de desconto. Estes dados evidenciam o potencial económico e ecológico da floresta,
justificando a adopção de quotas por espécie, programas de enriquecimento silvícola e instrumentos de
Pagamento por Serviços Ambientais como estratégias para garantir uma gestão comunitária sustentável
e financeiramente viável