Abstract:
As florestas de miombo, historicamente sujeitas a queimadas, apresentam elevada resiliência
devido à capacidade regenerativa por rebrotos, tocos e raízes. Contudo, a crescente pressão
antrópica pode alterar significativamente sua estrutura e composição. Um dos desafios na gestão
das queimadas reside na escassez de informação sobre os seus efeitos ecológicos. Este estudo
avaliou o impacto das queimadas na vegetação da floresta de miombo, do Parque Nacional de Gilé.
Com base no mapa de severidade do fogo, definiram-se três classes (baixa, média e alta), nas quais
foram estabelecidas 29 parcelas de 20 x 50 m para colecta de dados. Todos os indivíduos lenhosos
com DAP ≥ 10 cm foram medidos e identificados. A biomassa e composição graminal foram
avaliadas antes e depois da queimada controlada, em 100 pontos por parcela. Foram identificadas
50 espécies arbóreas pertencentes a 20 famílias, com destaque para Fabaceae (18 espécies; 36%
da riqueza total). Brachystegia boehmii, Julbernardia globiflora, Pterocarpus angolensis e
Brachystegia spiciformis foram as espécies mais importantes em todas as classes de severidade. A
severidade do fogo afectou significativamente a distribuição diamétrica e o índice de Shannon-
Wiener, mas não influenciou composição, altura, sanidade, nível de dano e vigor dos indivíduos.
A diversidade, estrutura e composição da vegetação do PNAG é influenciada por efeitos sinérgicos
da severidade e frequência de fogo, precipitação, temperatura e tipo do solo, e não por factores
isolados. Deve-se implementar práticas de maneio de fogo que equilibrem a prevenção de
queimadas de alta severidade e a promovam queimadas controladas de média severidade.