Abstract:
A infecção causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) permanece um relevante
problema de saúde pública, afectando de forma desproporcional mulheres jovens em idade
reprodutiva, particularmente na África Subsaariana. Durante a gravidez, a vivência do HIV
impõe desafios adicionais de natureza psicológica e social, podendo comprometer a adesão
ao tratamento antirretroviral (TARV), considerado fundamental para a saúde materna e para
a prevenção da transmissão vertical. Neste contexto, as estratégias de coping assumem um
papel central na adaptação psicológica e na gestão das exigências associadas à gravidez e ao
tratamento. A presente dissertação teve como objectivo analisar a relação entre as estratégias
de coping adoptadas por mulheres grávidas em tratamento antirretroviral e a adesão ao
TARV. Metodologicamente, apresenta-se como um estudo analítico transversal, com uma
abordagem quantitativa, realizado entre julho e novembro de 2025, envolvendo uma amostra
de 384 mulheres grávidas em seguimento TARV. A recolha de dados foi efectuada através
de um questionário sócio-demográfico e do Inventário de Estratégias de Coping de Folkman
e Lazarus. A análise estatística incluiu estatística descritiva e inferencial, recorrendo aos
pacotes SPSS, com testes de correlação, regressão e análise de variância. Os resultados
revelaram que a maior parte dos participantes era jovem, com predominância de inserção no
sector informal e níveis médios a elevados de escolaridade, sendo observada uma elevada
proporção de não adesão ao tratamento. As estratégias de coping mais frequentemente
utilizadas foram a reavaliação positiva, a fuga e a aceitação da responsabilidade. Verificaram-
se associações estatisticamente significativas entre várias estratégias de coping e a adesão ao
TARV, destacando-se a reavaliação positiva como preditor favorável da adesão. Conclui-se
que as estratégias de coping tem um papel importante na adesão ao TARV entre mulheres
grávidas vivendo com HIV. Os achados evidenciam a necessidade de integrar intervenções
psicossociais focadas no fortalecimento de estratégias de coping adaptativas nos serviços de
saúde materna, de modo a promover a adesão terapêutica, o bem-estar psicológico e a
redução da transmissão vertical do HIV.