Abstract:
A Tuberculose permanece como a principal causa de morte por um único agente
infeccioso mundialmente, constituindo um desafio crítico de saúde pública em países de baixo
rendimento como Moçambique. A co-infecção Tuberculose-Vírus de Imunodeficiência Humana
representa uma ameaça dupla, sendo que indivíduos vivendo com o vírus de imunodeficiência
humana apresentam um risco 15 a 21 vezes superior de desenvolver Tuberculose activa
comparativamente à população geral. Em Moçambique, país classificado entre os 30 com maior
carga de Tuberculose globalmente, a prevalência de Vírus de Imunodeficiência Humana entre
indivíduos com infecção nova ou reincidente por Tuberculose situa-se entre 20% e 49%. Apesar
da Organização Mundial de Saúde recomendar o Tratamento Preventivo com Isoniazida como
estratégia fundamental para redução da incidência de Tuberculose em indivíduos vivendo com o
vírus de imunodeficiência humana, a efectividade desta intervenção em contextos específicos
como Moçambique carece de evidências locais robustas. Este estudo teve como objectivo avaliar
os desfechos relacionados à ocorrência de Tuberculose após a conclusão do Tratamento Preventivo
com Isoniazida em indivíduos vivendo com o vírus de imunodeficiência humana atendidos no
distrito da Moamba, entre 2017 e 2020.
Métodos: Foi conduzido um estudo retrospectivo de coorte envolvendo 330 indivíduos vivendo
com o vírus de imunodeficiência humana que completaram o Tratamento Preventivo com
Isoniazida no distrito da Moamba entre 2017 e 2020. Os dados foram recolhidos a partir de registos
clínicos, incluindo variáveis sóciodemográficas e clínicas. O seguimento foi realizado durante um
período médio de 30 meses após a conclusão do Tratamento Preventivo com Isoniazida, avaliando-
se a incidência de Tuberculose activa.
Resultados: Durante o período de seguimento, não foram registados novos casos de Tuberculose
activa entre os 330 pacientes que completaram Tratamento Preventivo com Isoniazida (incidência
= 0 casos/100 pessoas-ano. Observou-se predomínio de mulheres (68,2%) em idade
economicamente activa (mediana de 36 anos).
Conclusão: Os resultados sugerem uma possível associação entre implementação do Tratamento
Preventivo com Isoniazida e ausência de novos casos de Tuberculose na população estudada. A
ausência de grupo controlo limita inferências causais definitivas. Recomenda-se estudos
prospetivos controlados para melhor avaliação da eficácia do Tratamento Preventivo com
Isoniazida e identificação de factores condicionantes da adesão e sucesso