Abstract:
A tuberculose (TB) continua a ser um problema importante de saúde pública em
Moçambique. Em 2021 foram notificados aproximadamente 1400 casos de TB
multirresistente, o correspondente a 38% do esperado, e com uma taxa de sucesso de tratamento
de 72%. Informação sistematizada e baseada em evidências sobre os desafios e barreiras
relacionados ao tratamento da TB resistente poderá contribuir para delinear estratégias com
vista a melhoria do sucesso do tratamento da TB resistente, e a redução da transmissão e peso
da doença no país.
Objectivo: Identificar as barreiras que interferem com o sucesso do tratamento da tuberculose
resistente nas unidades sanitárias da cidade e província de Maputo.
Metodologia: Foi realizado um estudo qualitativo descritivo de Setembro a Novembro de
2021, em nove US da cidade e província de Maputo, com entrevistas profundas semi-
estruturadas a um total de 30 participantes, que incluíam pacientes, cuidadores e profissionais
de saúde, para explorar as suas experiências, percepções e desafios no tratamento da
tuberculose resistente. Para a análise de dados foi usada a técnica de análise do conteúdo.
Resultados: Os participantes referiram como desafios no tratamento da TB resistente o atraso
no diagnóstico, a elevada quantidade de medicamentos e suas reacções adversas principalmente
os pacientes com a co-infecção TB/HIV, a insuficiente qualidade dos serviços de saúde, o
desconhecimento sobre a doença incluindo as falsas percepções, o estado emocional dos
pacientes, o estresse social e económico com desestruturação familiar e o consumo abusivo de
álcool, aspectos estes que constituem barreiras para o sucesso do tratamento da TB resistente.
As lacunas no conhecimento do provedor e a indisponibilidade de recursos para monitoria do
tratamento do paciente foram mencionadas a nível da US mais periférica (zona rural).
Conclusão: Os resultados do estudo evidenciam a existência de desafios para o sucesso do
tratamento da TB resistente e sustentam a necessidade de abordagens diferenciadas e centradas
no paciente e família, com fortalecimento da componente de saúde mental, apoio social e
observância dos direitos humanos dos pacientes a nível multissectorial, envolvendo o
Ministério da Saúde e outras entidades competentes, assim como a melhoria da qualidade dos
serviços de saúde, com diagnóstico atempado e regimes de tratamento mais toleráveis, com
menor quantidade diária de medicamentos