Abstract:
A presente dissertação, intitulada “A escola como recurso no processo de construção e
preservação da identidade cultural chopi: uma abordagem a partir da prática da timbila em
Zavala”, tem como objetivo central analisar de que forma a escola pode contribuir para a
construção e preservação da identidade cultural do povo chopi, tomando como referência a
prática da timbila, manifestação cultural Chopi reconhecida como Património Oral e Imaterial da
Humanidade pela UNESCO.
A pesquisa parte do pressuposto de que a escola, enquanto espaço de socialização, transmissão
de saberes e formação de valores, desempenha um papel relevante na consolidação das
identidades culturais locais. No entanto, observa-se que, em muitos contextos, o sistema
educativo tende a privilegiar conteúdos universais em detrimento dos saberes tradicionais, o que
pode levar ao enfraquecimento das práticas culturais autóctones. Assim, procurou-se
compreender como a prática da timbila, presente na vida sociocultural do distrito de Zavala, pode
ser integrada nos processos educativos formais e não formais, promovendo o reconhecimento e a
valorização da identidade chopi entre os estudantes.
A investigação baseou-se em abordagens qualitativas, recorrendo a entrevistas, observações e
análise documental, envolvendo professores, alunos e praticantes da timbila. Os resultados
evidenciam que a escola, quando reconhece e valoriza os elementos da cultura local, pode tornar-
se um espaço privilegiado para a preservação da memória coletiva e a reafirmação da identidade
cultural. Verificou-se, ainda, que a inclusão de práticas culturais como a timbila no currículo
escolar contribui para o fortalecimento do sentimento de pertença, o respeito pela diversidade e a
valorização das tradições.
No entanto, conclui-se que a timbila é prática cultural fundamental para a construção da
identidade nacional em Moçambique, pois, a introdução da disciplina da timbila, não somente
veio projectar a sua divulgação valorização, como contribui para a inclusão epistémica, visto que
esta prática, tal como muitas outras de tradição oral, é, na maioria das vezes, colocada na
periferia dos centros de saber