Abstract:
Em Moçambique, a saúde mental está pouco estudada e a maioria dos pacientes
não têm acesso a tratamento, devido à escassez de recursos e também ao estigma a que estes
pacientes estão sujeitos. A maioria dos moçambicanos acredita que a doença não é provocada
por agentes físicos, resultando de “curtos – circuitos” na relação com as forças do invisível e
suas regras. A doença mental não é um problema individual, mas de um colectivo, família ou
comunidade. Objectivos: Avaliar o estado nutricional e hábitos alimentares e sua relação com
os transtornos mentais em adolescentes dos 12 aos 19 anos residentes no Bairro Polana Caniço
A. Metodologia: Foi realizado um estudo exploratório transversal de abordagem quantitativa
na população. Os dados foram recolhidos de adolescentes do bairro Polana Caniço, na cidade
de Maputo, por meio de questionários e entrevistas, empregando técnicas quantitativas e
qualitativas. Resultados: Foram analisados 188 adolescentes com idades compreendidas entre
os 12 aos 19 anos e o estudo identificou dois padrões alimentares: o padrão misto, caracterizado
por cargas factoriais positivas e elevadas para o grupo de alimentos base (arroz, xima massa a
base de farinha de milho) e macarrão), carnes e ovos, peixes, frutas, pão, bolachas, gorduras e
refrigerantes e o padrão tradicional, caracterizado pelo grupo do feijão, vegetais, raízes e
tubérculos e doces (rebuçados). Foi observado que o pão foi o alimento mais consumido
diariamente (59,6%) e Xima (massa de farinha de milho) consumido uma vez por semana
(55,3%). A análise da frequência alimentar dos adolescentes revelou que a maioria (84,4%)
realizava três refeições por dia. Avaliação dos sintomas de doença mental indicou uma
prevalência de sofrimento psicológico, onde 20,8% apresentaram sinais sugestivos de
transtornos mentais, com potencial impacto no bem-estar emocional, social e funcional
Conclusões: Os resultados deste estudo indicaram a prevalência de sinais de doenças mentais
nos adolescentes. A frequência de refeições diárias apresentou correlação significativa com o
estado de saúde mental dos adolescentes e pode ser considerado como um bom indicador para
monitorar o estado de saúde mental de adolescentes, particularmente em contextos de
vulnerabilidade social como as zonas periurbanas em Mocambique