Abstract:
A asfixia perinatal continua sendo uma das principais causas de morbimortalidade neonatal
em países de baixa e média renda, contribuindo significativamente para desfechos
neurológicos adversos e mortalidade precoce. Este estudo teve como objetivo descrever as
características clínicas e sociodemográficas dos recém-nascidos com diferentes graus de
asfixia perinatal internados nos serviços de neonatologia do Hospital Central da Beira
(Moçambique), no período de Junho á Novembro de 2024. Tratou-se de um estudo
prospectivo, observacional, analítico, com abordagem quantitativa de base hospitalar, que
incluiu 192 recém-nascidos a termo diagnosticados com asfixia perinatal, selecionados por
amostragem não probabilística por conveniência. Foram comparadas variáveis maternas,
perinatais e neonatais entre os grupos com asfixia leve/moderada e grave. A maioria dos
casos (75%) apresentou asfixia perinatal grave. Complicações no trabalho de parto foram
mais frequentes nos casos leves/moderados (25% vs. 7,6%; p=0,005), o parto vaginal
espontâneo/assistido foi mais comum entre os casos graves (72,2% vs. 54,2%; p=0,03). Os
recém-nascidos
com
asfixia
perinatal
grave
apresentaram
escores
de Apgar
significativamente mais baixos, maior necessidade de ventilação com pressão positiva
(82,3% vs. 35,6%) e compressões torácicas (17,6% vs. 2,1%), além de maior frequência de
apneia (51,4%), convulsões (50%) e síndrome de aspiração de mecônio (20,8%). Houve
também maior utilização de antibióticos, anticonvulsivantes, fluidos endovenosos e
inotrópicos, e taxa de mortalidade significativamente mais elevada (45,1% vs. 0%). Os
achados reforçam a associação entre a gravidade da asfixia e piores desfechos clínicos
neonatais, destacando a importância de intervenções oportunas e qualificadas no intraparto
e no período neonatal imediato