Abstract:
A reflexão sobre “a participação da filosofia na preservação do homem e do ecossistema” é um imperativo a uma
tomada de consciência impulsionada por Ngoenha e por tantos outros filósofos citados e não citados para a
urgência da salvaguarda do homem e do ecossistema. A razão é precisamente o facto de se constatar que ao
longo da história a inteligência humana no seu avanço tecnológico não tem tido freio. Embora haja avanço
tecnológico para o bem-estar do homem, ao mesmo tempo verifica-se que muitas das invenções tecnológicas são
nocivas à vida não só humana, mas também animal e vegetal. O prejuízo causado à vida vem em consequência
da excessiva e desregrada exploração dos recursos da natureza, da libertação de gases das fábricas, nocivos à
atmosfera de onde vem o ar que se respira, do fabrico de material bélico com fins criminais, provocando
intencionalmente a morte de pessoas e de outros seres vivos do planeta terra, o desequilíbrio ambiental que por
sua vez provoca os cataclismos, a desertificação. O que se pretende é com o pensamento filosófico levar o
homem como ser racional ao retorno a si mesmo e ao seu ser social, à redescoberta dos valores éticos que dão
sentido à sua existência. Este retorno a si constituirá o saber ser e estar que levará o homem a ter limites no seu
saber fazer e agir, isto é, nas suas descobertas evitará o que destrói o ambiente e todos os seres vivos que nele
habitam, reequilibrando o funcionamento do ecossistema. Isso só será possível se o homem depois da
redescoberta da sua identidade reconhecer que não está só no mundo, mas existem e existirão outros seres vivos
que também têm e terão o direito de viver neste meio onde habitamos hoje desde o primeiro instante da
existência da humanidade, em condições favoráveis quanto ao seu