Abstract:
A fístula obstétrica (FO) é uma complicação grave do parto obstruído e prolongado,
prevalente em países subdesenvolvidos como Moçambique, onde o acesso a cuidados
obstétricos de emergência é limitado. Com uma alta taxa de mortalidade materna,
Moçambique carece de informações epidemiológicas sobre a fístula. Este estudo tem
como objectivo avaliar o perfil social e epidemiológico das mulheres atendidas com FO
entre 2015-2017 em cinco Unidades Sanitarias (US) das Províncias de Cabo Delgado,
Niassa, Nampula, Sofala e Inhambane. É um estudo transversal analítico que se baseou
na análise de processos clínicos das pacientes com FO, onde se fez uma estatística
descritiva e teste de qui-quadrado para se verificar a associação entre as variáveis
sociodemográficas e a fístula obstétrica. O estudo analisou 542 mulheres, das quais 91,3%
foram diagnosticadas com FO. A idade mediana foi de 26 anos, sendo 40% casadas e
81,5% viviam em zonas rurais. Quase metade das participantes (47,4%) não tinha
qualquer nível de escolaridade, e 73,9% tiveram o último parto numa unidade sanitária.
As variáveis que tiveram associação estatisticamente significativa para a ocorrência de
FO foram a idade, zona de residência, o nível de escolaridade, assistência no parto e a
ruptura uterina. O estudo revelou uma alta uma ocorrência de FO predominantemente em
mulheres jovens, provenientes de áreas rurais, sem escolaridade e primigestas. A chegada
tardia às unidades sanitárias e a falta de acompanhamento pós-parto adequado
contribuíram para a ocorrência de FO, apesar da assistência por profissionais de saúde
durante o parto