Abstract:
A cirurgia representa um marco significativo na vida do paciente, pois, ao realizá-la, espera-
se solucionar um problema de saúde e alcançar uma vida mais saudável. A experiência
cirúrgica, no entanto, é vivenciada de forma única por cada paciente, influenciada por
diversos factores psicossociais e fisiológicos ao longo de sua trajetória. A intervenção
cirúrgica deve ser abordada de maneira holística. Quando isso não acontece, especialmente
diante de uma comunicação ineficaz no período pré-operatório, pode-se gerar um impacto
emocional profundo e negativo no paciente. Esta pesquisa oferece subsídios para um
atendimento mais humanizado e integral. O objetivo geral do estudo foi conhecer o
significado das experiências vivenciadas pelos pacientes internados no Departamento de
Cirurgia, na Cirurgia II e III, em relação ao processo cirúrgico e ao atendimento prestado
pelos profissionais de saúde. Tratou-se de um estudo qualitativo, de natureza exploratória,
realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com quinze (15) pacientes de ambos os
sexos, internados nos serviços mencionados do Hospital Central de Maputo (HCM), durante
o período pré-operatório. Os resultados foram organizados em dados sociodemográficos,
onde revelou-se que a maioria dos participantes era do sexo feminino, com idade
predominante entre 31 e 61 anos, a viver em união marital e com nível médio de
escolaridade. As experiências foram agrupadas em quatro categorias principais:
Sentimentos face ao processo cirúrgico: medo, mal-estar e choque foram os sentimentos
mais frequentemente mencionados. Experiências relacionadas à intervenção cirúrgica:
alívio, bem-estar, felicidade, tranquilidade e relaxamento foram predominantes entre os
participantes. Qualidade do atendimento hospitalar: o bom atendimento foi amplamente
reconhecido, embora a demora entre consultas e o tempo prolongado para a marcação da
cirurgia tenham gerado desconforto. Comunicação de más notícias: os participantes
enfatizaram a importância de uma comunicação clara, empática e abrangente. Concluiu-se
que, na fase pré-operatória, os pacientes vivenciaram um misto de sentimentos negativos e
positivos. Quando bem informados e acolhidos, sentiam-se tranquilos, aliviados, felizes,
relaxados e com sensação de bem-estar. Por outro lado, a comunicação deficiente e a
ausência de suporte geravam medo, mal-estar, choque, insegurança e stress. Os pacientes
também demonstraram receio diante do desconhecido, como a anestesia, a possibilidade de
morte e a própria intervenção cirúrgica. Ademais, apresentaram uma dissonância emocional
entre o desejo de cura e o temor do pós-operatório