Abstract:
A infância, como uma fase do desenvolvimento em que ocorrem grandes transformações, é considerada uma
fase fértil para o aprendizado de uma ampla gama de habilidades para a vida. As instituições de educação
infantil tais que Centros Infantis, são consideradas como tendo um papel crucial, sendo espaços em que se
refletem e assimilam relações de gênero. Consequentemente, é de grande importância a implementação, nessas
instituições, de uma educação impregnada de valores inerentes à igualdade de oportunidades entre homens e
mulheres, desconstruindo estereótipos sociais sobre os gêneros feminino e masculino, conforme orientações
internacionais e nacionais. O presente estudo foi desenvolvido em quatro Centros Infantis da Cidade de Maputo,
com o objectivo de analisar as práticas educativas para a promoção da igualdade e equidade de género na
educação de infância. O pressuposto de partida foi o de que as práticas educativas nesses quatro Centros
Infantis não favoreciam a promoção da igualdade de género ou, se a favorecesse, não estaria claramente
evidente ou estruturada na prática educativa destas instituições. O estudo, é de abordagem qualitativa, natureza
básica, descritiva quanto aos objectivos e do tipo estudo de caso quanto aos procedimentos, por esta constituir
uma metodologia que permite explorar em profundidade um fenómeno num determinado contexto,
proporcionando uma melhor compreensão do mesmo. Em termos de técnicas de recolha de dados recorreu-se à
entrevista semiestruturada, à observação e à análise documental. Os dados recolhidos foram processados
recorrendo-se à Grelhas de análise e à técnica de Análise de Conteúdo, na perspectiva de Bardin. Os resultados
do estudo fornecem uma descrição que indica a existência de uma visão de igualdade de direitos entre homens e
mulheres nas práticas de Educação Infantil prevalentes nesses quatro centros, o que indica o reconhecimento da
relevância das práticas educativas para a promoção da igualdade/equidade de gênero na infância. O facto de se
tratar de centros cuja gestão é exclusivamente feminina, reforça-se a crença de que as mulheres são vistas como
as mais preparadas para o exercício da profissão de educadora de infância. No entanto, através dos dados
percebe-se também que, embora haja o reconhecimento da relevância de práticas educativas que promovam a
igualdade/equidade de gênero nestes centros, há uma ambiguidade e deficiência na sua implementação, o que
coaduna com a tese deste estudo. Em conclusão a promoção da igualdade e equidade de género na infância de
facto é relevante, contudo nos quatro Centros Infantis analisados as práticas educativas para sua promoção neste
contexto educativo infantil mostram-se deficientes, se não, “inexistentes”. Na busca de uma forma de mitigar
essas limitações, o estudo sugere: o reajuste e uniformização dos documentos orientadores, no sentido de se
alinharem com as orientações da Constituição da República e da Política de Género e Estratégia de sua
Implementação no que diz respeito à promoção da igualdade de género no país; a realização de acções de
supervisão e capacitação/treinamento regulares e contínuas dos gestores e profissionais dos Centros Infantis
sobre práticas educativas na infância que estimulem relações de género igualitárias nas crianças; o fornecimento
de manuais e outros documentos orientadores ajustados às políticas nacionais, bem como de documentos
internacionais que abordam a necessidade de a educação na infância promover a igualdade de género em prol
do desenvolvimento integral de toda a criança, e por fim a promoção de mais estudos sobre esta temática