Abstract:
Moçambique tem-se beneficiado de vários financiamentos e de apoios de parceiros de
cooperação para a prestação de cuidados de saúde da população, cuja saúde pública tem
registado melhorias, assim como os respectivos indicadores. Com a adopção da Declaração de
Paris, foi sujeito às várias avaliações que conferiram o bom desempenho do País. Contudo ainda
persistem vários desafios relacionados ao crescimento populacional, à rápida urbanização, ao
triplo fardo da doença, às cíclicas emergências sanitárias e ao orçamento insuficiente,
contribuindo para o baixo desempenho do sector. O presente trabalho faz uma abordagem sobre
o papel dos parceiros de cooperação no fortalecimento do sector da Saúde, avalia o seu impacto,
aponta os desafios e apresenta as possíveis soluções. A metodologia adoptada é do tipo
qualitativo, fazendo uma exploração do tema através de revisão bibliográfica, pesquisa
documental e entrevistas. As entrevistas realizadas respeitaram um guião com tópicos definidos e
os entrevistados foram selecionados de acordo com a área e função de trabalho, com intuito de
obter conhecimento relacionado com o objecto do estudo. Foram utilizados, para este estudo, os
métodos dedutivo, indutivo, histórico e comparativo para o desenvolvimento da temática. No que
concerne ao enquadramento teórico foi essencial desenvolver a Teoria de Dependência para
analisar as razões da dependência externa do País e da Teoria da Mudança que foi adoptada
pelas lideranças do sector, como um novo paradigma de abordagem para obtenção de resultados
positivos da cooperação, garantindo a complementaridade dos objectivos e prioridades do sector,
reduzir a dependência externa, garantir a sustentabilidade dos projectos e melhorar a saúde das
populações. Com base nesses estudos, foi possível concluir que o sector da saúde é altamente
dependente do financiamento externo e que o País necessita de uma estratégia de
desenvolvimento que reflita a realidade do País e de assumir a liderança efectiva nas relações de
cooperação internacional, nas negociações sobre ajuda, nos mecanismos de coordenação e na
determinação do tipo e das condições de concessão de ajuda