Abstract:
O uso de contraceptivos continua a representar um desafio significativo para a saúde
pública, particularmente em países em desenvolvimento, como Moçambique. A baixa adesão a
métodos contraceptivos contribui para consequências adversas, tais como o aumento de gravidezes
não desejadas, a elevação do risco de abortos inseguros e, por conseguinte, o agravamento das
taxas de mortalidade materna e infantil. Para além dos impactos na saúde, essa realidade afecta
negativamente a educação, o bem-estar e o desenvolvimento socioeconómico das mulheres.
Objectivo: Analisar os factores associados ao uso de contraceptivos por mulheres sexualmente
activas e em idade reprodutiva, em Moçambique, com base nos dados do Inquérito Demográfico
e de Saúde 2022-2023.
Metodologia: Foi realizado um estudo descritivo, transversal e de abordagem quantitativa,
utilizando os dados do Inquérito Demográfico e de Saúde de Moçambique 2022-2023. Do total de
13.183 mulheres em idade reprodutiva inquiridas, 7.456 foram consideradas sexualmente activas,
constituindo a amostra deste estudo. A análise incluiu regressão logística bivariada e multivariada
para testar associações entre o uso de contraceptivos e possíveis factores de risco, sendo
considerado estatisticamente significativo o valor de p < 0,05.
Resultados: O uso de contraceptivos foi reportado por 32,8% (IC 95%: 30,9–34,8) das mulheres
sexualmente activas, sendo que 32% delas usam métodos modernos e 0,81% o tradicional. Das
5010 mulheres entrevistadas que revelaram não usar contraceptivos, 75,83% referiram não ter
intenção em usar e 24,2% manifestaram interesse em usar mais tarde. Mulheres expostas a
mensagens de PF apresentaram 2.61 vezes maior a probabilidade de usar contraceptivos.
Conclusão: Os resultados destacam a influência de factores educacionais, socioeconómicos,
demográficos e culturais na decisão sobre o uso de contraceptivos em Moçambique. A idade, o
nível de escolaridade, o quintil de riqueza, a religião, o estado civil e a exposição a mensagens
sobre o planeamento familiar mostraram-se determinantes no uso desses métodos. Além disso,
verificou-se que as regiões Norte e Centro estão mais expostas à influência de normas religiosas e
culturais que podem limitar a adesão ao planeamento familiar