Abstract:
Esta pesquisa analisou o acesso à alimentação adequada entre os agregados familiares (AF’s)
que praticam a agricultura de subsistência no Distrito de Magude. Foi realizado um estudo
misto, cuja componente qualitativa consistiu na admnistração de 40 entrevistas
semiestruturadas aos chefes de AF’s, 7 actores-chave e 10 discussões em grupos focais. A
componente quantitativa consistiu na admnistração de um inquérito baseado em Questionários
de Frequência Alimentar (QFA) para 242 chefes de AF’s. Os dados qualitativos foram
analisados na base da técnica de análise de conteúdo, enquanto que a análise descritiva foi
usada para analisar os dados quantitativos. Os resultados da pesquisa mostraram que para os
AF’s a alimentação adequada significa consumir o que gostam, que consiste no consumo de
maiores quantidades de carnes e industrializados e em maior frequência. Assim, os AF’s têm a
percepção de que a sua alimentação não é adequada porque apenas consomem o que a renda
suporta. O consumo alimetar dos AF’s é caracterizado pela ingestão de cereais, tubérculos e
óleos refinados, havendo fraca inclusão de legumes, frutas e carnes, assim como o baixo
fracionamento. A maior parte dos AF’s realiza uma ou duas refeições por dia, apenas duas
famílias conseguem realizar até três refeições ao dia. Os resultados mostram que os factores
ambientais, as questões culturais, e o fraco acesso aos recursos financeiros influenciam
negativamente as escolhas e conduta alimentar dos AF’s e consequentemente no acesso à
alimentação adequada.