Abstract:
A história de Moçambique independente é marcada por uma complexa teia de relações
com a vizinha República da África do Sul. Após a independência em 1975, sob liderança
da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o país adoptou uma orientação
socialista. Em contraste, a África do Sul, sob o regime do Apartheid, apresentava-se como
bastião do capitalismo e da supremacia branca na região. Este antagonismo ideológico foi
um dos principais motores de conflito entre os dois países. Entretanto, apesar deste
cenário de hostilidade, os dois países cooperaram em alguns sectores chave, entre eles, a
gestão compartilhada do rio Incomati. Com base na revisão de literatura e trabalho de
arquivo, esta dissertação analisa os contornos da gestão conjunta do rio Incomati no
período compreendido entre 1975-1994. A mesma argumenta que a cooperação na gestão
do rio Incomati demonstra que, mesmo em tempos de conflito intenso, houve esforços de
ambos os lados para encontrar pontos de convergência e colaboração. Esta colaboração
ilustra a complexidade das relações internacionais, onde as rivalidades ideológicas podem
coexistir com iniciativas de cooperação prática, refletindo a necessidade de soluções
conjuntas para desafios comuns, independentemente das diferenças ideológicas.