Abstract:
A dinâmica das instituições do ensino superior insere-se num espaço social, económico e cultural abrangente no qual
a FACED-UEM é colocada como campo de pesquisa válido na presente investigação, para a compreensão sobre o
estado da questão de estudos aplicáveis no contexto das Representações Sociais (RS) sobre as Relações de Género
(RG) no trabalho docente à luz do quadro das teorias de género, feministas e das RS, no contexto da promoção de
oportunidades iguais entre docentes na FACED-UEM. Metodologicamente nesta tese, fez-se uma pesquisa de natureza
qualitativa, com base num estudo de caso. Numa população de 114 docentes, por conveniência se extraiu uma amostra
constituída por 20 docentes, dos quais 10 são mulheres e 10 são homens. Os instrumentos de recolha de dados usados
foram a entrevista semi-estruturada e a observação assistemática ou simples. Com recurso a um guião de entrevista,
foram recolhidas narrativas dos docentes participantes à volta das suas RS sobre as RG no trabalho, as quais foram
registadas em áudio, transcritas e submetidas à análise de conteúdo. A observação foi realizada com o recurso à uma
grelha de observação, para o registo ocasional dos factos ocorridos no contexto pesquisado. Os resultados obtidos
mostram a existência na FACED-UEM da desigualdade de género, que se manifesta através da desproporção na
indicação das docentes, em relação aos docentes, para ocuparem cargos de chefia, desvalorização das suas opiniões
nas reuniões de trabalho, machismo encoberto e preconceito, que resultam de atitudes e práticas do contexto social
dos docentes permeáveis ao seu contexto de trabalho. As narrativas das entrevistas do grupo de amostra indicam
também que RS sobre as RG no trabalho têm um carácter crítico-emancipatório fortalecido por uma percepção
consciente sobre o efeito negativo das conexões entre a ideologia patriarcal machista e as práticas culturais
desfavoráveis à mulher que se estendem da sociedade para o contexto laboral. Como conclusões relevantes nota-se
que à nível das RS dos docentes prevalece um desconhecimento sobre as políticas institucionais de género que
influencia negativamente nas suas RG no trabalho.