Abstract:
O estigma e a discriminação têm impacto negativo na vida das pessoas que vivem com o HIV.
Estudos indicam que o grau de escolaridade concluído entre pessoas que vivem com o HIV é
baixo e, muitas vezes, elas são excluídas e expulsas das escolas devido ao seu estado serológico.
Este estudo analisa as percepções sobre o impacto da estigmatização e discriminação no
(in)sucesso escolar das mulheres jovens que vivem com o HIV/SIDA na cidade de Xai-Xai.
Este é um estudo qualitativo cujos dados foram recolhidos através de entrevistas que foram
administradas a 32 participantes. Os dados foram analisados através da técnica de análise de
conteúdo e a teoria de estigmatização de Erving Goffman. Os resultados deste estudo indicam
que o estigma e a discriminação relacionado ao HIV não ocorre na escola porque as mulheres
jovens não revelam o seu estado serológico. Contudo, elas sofrem estigma e discriminação
relacionada ao HIV na comunidade e nas unidades sanitárias. Adicionalmente, as participantes
da pesquisa entendem que o seu estado serológico não influencia o seu aproveitamento
pedagógico. O estudo concluiu que o facto das mulheres jovens omitirem o seu estado
serológico contribui para a prevenção do estigma e da discriminação relacionada ao HIV no
ambiente escolar, o que lhes permite participar das actividades escolares. O estudo sugere a
necessidade de implementação de estratégias ou mecanismos de combate ao estigma e à
discriminação das pessoas que vivem com o HIV na comunidade, tomando como base o
contexto local.