Abstract:
A presente dissertação analisa a influência da pobreza menstrual no desempenho escolar das
raparigas da Escola Secundária de Tenga, num contexto marcado por vulnerabilidade
socioeconómica, limitações infraestruturais e persistência de tabus culturais associados à
menstruação. O estudo adopta uma abordagem metodológica mista, combinando técnicas
quantitativas e qualitativas, envolvendo a aplicação de questionários a 50 raparigas e
entrevistas semi-estruturadas a 10 professores da referida instituição.
Os resultados do estudo evidenciam que a pobreza menstrual afecta significativamente o
desempenho escolar das raparigas, manifestando-se através do absentismo recorrente durante
o período menstrual, dificuldades de concentração em sala de aula, redução da participação
nas actividades escolares e perda de avaliações importantes. Constatou-se que a falta de
acesso regular a produtos de higiene menstrual, associada à inadequação das infraestruturas
sanitárias escolares, caracterizadas pela falta de privacidade, água e condições mínimas de
higiene, contribui para sentimentos de vergonha, ansiedade e insegurança, comprometendo o
bem-estar emocional das alunas.
Adicionalmente, os dados revelam que normas culturais patriarcais reforçam a invisibilização
das necessidades específicas das raparigas, funcionando como mecanismos de exclusão
simbólica no espaço escolar. A análise à luz da Teoria Crítica e da Teoria Feminista
demonstra que a pobreza menstrual não constitui apenas uma carência material, mas um
fenómeno estrutural resultante de desigualdades de género que se reproduzem no sistema
educativo.
Conclui-se que a pobreza menstrual representa uma barreira significativa à equidade de
género e ao direito à educação, afectando negativamente o rendimento escolar das raparigas.
O estudo recomenda a implementação de políticas escolares e públicas que assegurem o
acesso gratuito a produtos menstruais, a melhoria das infraestruturas sanitárias e a integração
da educação menstrual no currículo escolar, como estratégias fundamentais para a promoção
de ambientes educativos inclusivos e equitativos.