Abstract:
Schistosomíase é uma doença tropical e subtropical negligenciada (DTN) de
grande importância médica, causada por um parasita digenético do género Schistosoma. A
schistosomíase urogenital, doença causada por S. haematobium, afecta no mundo uma
população estimada em 240 milhões, com considerável impacto socioeconómico, morbidade e
mortalidade. Em África a prevalência é de 232,8 (97%) milhões das pessoas, 300.000 mortes
anuais, na África Subsaariana a mais problemática com cerca de 192 milhões, constituindo
93% da carga global da doença, em Moçambique a prevalência é de 47% a 58,5%. Dentre
várias complicações, a schistosomíase urinária causa o cancro da bexiga. Em Moçambique os
casos do cancro da bexiga são relativamente altos. Até ao ano de 2020 a doença ocupava oitavo
lugar e foi a oitava causa da morte. Anualmente são diagnosticados mais de 895 (3,5%) novos
casos e 528 (2,9%) mortes. Em Moçambique não foram encontrados estudos que relatem a
presença e a frequência da schistosomíase nas biópsias do cancro da bexiga. Objectivo:
determinar a frequência de schistosomíase em biópsias com cancro da bexiga diagnosticadas
em pacientes no Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Central de Maputo de 2019 a
2023. Metodologia: Tratou-se de um estudo transversal, retrospectivo e descritivo com uma
série de dados secundários de pacientes com diagnóstico de Cancro da Bexiga a partir de
biópsias realizadas desde 2019 a 2023. Foi elaborada uma ficha de recolha de dados própria
com as respectivas variáveis. Os dados de biópsias foram colhidos nos processos anátomo-
patológicos registados. O tamanho da amostra foi igual ao universo de 167 biópsias no geral,
porém, apenas 109 foram diagnosticados cancro da bexiga e desses, apenas 22 casos estiveram
co-infecatados com schistosomíase. Os dados foram analisados no SPSS 25.0. Foi usada
estatística descritiva para descrever os principais indicadores. Resultados: A idade média dos
participantes foi de 56 (27-85 anos), SD±14,4; onde 77,3% foram do sexo feminino. a
frequência de schistosomíase em biópsias com cancro da bexiga foi de 20,2%. A faixa etária
mais afectada foi 31-60 anos com 50%(n=11). Pacientes provenientes da região sul tiveram
maior frequência de pacientes 86.4%(n=19), as províncias de Maputo e Gaza tiveram maior
participação com 45,5%(n=10) e 36,4%(n=8) respectivamente. O tipo histológico mais
frequente foi o carcinoma epidermoide ou de células escamosas (SCC) da bexiga em 90,9%
casos seguido do carcinoma urotelial ou de células transicionais (TCC) com 9,1% e nenhum
caso em adenocarcinoma.