Abstract:
A obesidade constitui um dos maiores desafios de saúde pública, sendo reconhecida como
factor de risco para doenças crónicas não transmissíveis. Em Moçambique, a prevalência desta
condição tem aumentado, sobretudo em áreas urbanas, acompanhando mudanças nos estilos
de vida. Este estudo teve como objectivo avaliar os conhecimentos, atitudes e práticas de
utentes atendidos no Centro de Exames Médicos (CEM) da cidade de Maputo em relação à
obesidade. Consiste num estudo descritivo transversal, e qualitativo, realizado entre julho a
setembro de 2025, envolvendo 20 participantes (60 % do sexo feminino e 40% do sexo
masculino) selecionados por saturação teórica. Os resultados foram agrupados em quatro
categorias principais (conhecimentos, atitudes, práticas e percepções) e evidenciaram que a
maioria dos participantes possuiu uma compreensão limitada da obesidade, definindo-a
principalmente como ‘’excesso de peso’’, sem reconhecimento como doença crónica. As atitudes
dos utentes mostraram-se ambivalentes, com sentimentos de tristeza, estigma e insatisfação
corporal, mas também com perceções culturais que associam a obesidade à prosperidade ou
normalidade. Foram observadas práticas pouco saudáveis, como baixo nível de actividade
física, consumo frequente de alimentos ultraprocessados e dificuldades no acesso a opções
saudáveis. As principais barreiras identificadas incluíram o custo elevado de alimentos frescos,
a falta de tempo, o cansaço e a ausência de espaços seguros para atividade física. Verificou-se
ainda pouca orientação formal em saúde. Os utentes sugeriram campanhas de sensibilização,
regulação de fast food e maior envolvimento comunitário. Verificou-se que persistem lacunas
de literácia em saúde e barreiras socioeconómicas e culturais que dificultam a prevenção e
controle da obesidade, evidenciando a necessidade de estratégias multissetoriais.