Abstract:
Este trabalho tem como objectivo estudar a dinâmica relacional em famílias com adolescentes em
Tratamento Anti-rectroviral (TARV), atendidos no Serviço de İnfecciologia da Pediatria do Hospital
Central de Maputo (HCM). Faz uma revisão teórica sobre a perspectiva estrutural sistémica que nortea
a pesquisa. Com base nesta teroria tornou-se necessário conhcecer o modo como as famílias se
estruturam, os padrões de comunicacão e interacção se estabelecem para melhor atender as demandas
dos adolescentes em TARV. A teoria cognitiva comportamental fornerceu susbsídios que permitiram
compreender alguns comportamentos dos adolescentes e suas familias perante o TARV, a psicossocial
de Erikson e a ecológica psicossocial de Bronfenbrenner que contribuiram para compreender os
adolescentes e suas famílias no seu contexto. A pesquisa teve como objectivo compreender a dinâmica
relacional do sistema familiar. No processo de construção da metodologia foi descrita a problemática
examinando a irrigularidade na toma de anti-retrovirais em adolescentes e suas famílias. Optou-se pelo
método de pesquisa exploratório descritivo e analítico. A metodologia constou de três etapas a primeira
realizou-se a recolha de dados através de um roteiro de entrevista semiestruturada para a caracterização
sociodemográfico dos adolescentes e suas famílias, a recolha de algumas percepções, experiências dos
cuidadores sobre o TARV dos adolescentes. Em segundo lugar a elaboração do genograma da estrutura
familiar com vista a discutir a história, os padrões familiares, a organização em termos gráficos da rede
de parentesco e por último aplicou-se o teste de sistema familiar (FAST) para avaliar a coesão e
hierarquia através da representação dos seus membros na situação real, ideal e de conflito.
Os resultados mostram a presença de indicadores de risco para o desenvolvimento não saudável dos
adolescentes e suas famílias como os relacionados com o stress, a frustração, o desconforto emocional,
a respeito do TARV, estas são experiências que reflectem a má adesão ao TARV. O exemplo do bom
relacionamento, a boa interacção com a equipe da saúde, a partilha das responsabilidades, são
indicadores de boa adesão ao TARV. O tabú nas famílias sobre o HIV, a relação conflitual no sistema
conjugal, as dificuldades económicas, sentimento de desanimo, a fraca colaboração do cônjuge no
TARV caracterizam a má adesão ao TARV. As redes de apoio social, bom relacionamento com a equipe
da saúde, atenção dos familiares cuidadores, são factores que facilitam a adesão. O medo da revelação
do diagnóstico, a frequência irregular à unidade sanitária, a relação triangular, os conflitos, o estigma e
a descriminação, o fraco envolvimento dos pais no TARV, os factores culturais e socioeconómicos
dificultam a adesão. Os padrões de interacção nas famílias A1 e C3 não favorecem o TARV, pois ao
nível da hierarquia verificam-se conflitos conjugais, enquanto E5 e H7 gozam de harmonia média. A
terapia familiar, a terapia cognitiva comportamental são estratégias que a pesquisa propõe para ajudar
as famílias a gerir melhor o TARV.