Abstract:
Problema e objectivo: A transmissão vertical do HIV continua a ser um desafio de saúde pública
em Moçambique. A adesão ao tratamento antirretroviral (TARV) por gestantes HIV+ é crucial
para prevenir a transmissão vertical, mas a efectividade dessa estratégia requer monitoria contínua.
Este estudo teve como objectivo analisar a relação entre o cumprimento do TARV por gestantes
HIV+ e a taxa de positividade do teste de PCR em crianças expostas, no Centro de Saúde de
Ndlavela, na província de Maputo, durante o período de Janeiro a Dezembro de 2022.
Metodologia: Tratou-se de um estudo de caso, quantitativo transversal. A população original era
de 252 crianças expostas, com 4 a 16 semanas de vida, cujas mães foram seguidas no Centro de
Saúde de Ndlavela. Após rigorosa aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, a amostra final
foi composta por 73 crianças expostas, cujas mães realizaram o seguimento do TARV na mesma
unidade sanitária e cujos testes foram realizados na US. Variáveis sociodemográficas, adesão
materna ao TARV e resultados de PCR infantil foram extraídos de registos clínicos e laboratoriais.
A análise estatística combinou medidas descritivas com o teste do Qui-Quadrado de Pearson.
Resultados: Das 73 mulheres grávidas vivendo com HIV, a maioria (47%) estava entre os 18 e 25
anos de idade (mediana 26 anos de idade), 47% residia na área de abrangência do centro de saúde
eram nível primário em termos de escolaridade. Das 73 mulheres grávidas que iniciaram o TARV
entre janeiro e março de 2022, 71 (97,3%) retornaram para pelo menos uma consulta clínica ou
levantamento de ARVs até Junho de 2022. Isso indica uma alta taxa de retenção inicial no
tratamento. Nas crianças cujas mães completaram as quatro consultas pré-natais (aderentes ao
TARV), a taxa de positividade do PCR-DNA foi de 2% (1 criança com resultado positivo entre 73
crianças avaliadas). Quase todas mulheres grávidas que iniciaram o TARV completaram as 4
consultas pré-natais recomendadas (91,2%), indicando uma boa retenção precoce para o
seguimento do TARV, durante o período gestacional. A análise com o teste Qui-Quadrado de
Pearson revelou uma associação estatisticamente significativa entre a adesão materna ao TARV
(definida como completar as 4 consultas pré-natais) e a redução da positividade do PCR nas
crianças expostas (X²= 219,59, p < 0,05). Ou seja, filhos de mães que não completaram as
consultas de retenção tiveram uma maior taxa de positividade de HIV nos testes de PCR realizados
no estudo. Conclusão: Em face dos resultados observados no Centro de Saúde de Ndlavela, Moçambique,
este estudo conclui que a adesão materna ao TARV é um determinante crítico da positividade do
PCR em crianças expostas. Urge o desenvolvimento e a implementação de intervenções para
promover a adesão ideal ao TARV durante a gravidez e o seguimento materno-infantil, visando a
eliminação da transmissão vertical do HIV.