Abstract:
A inundação é o fenómeno climático que lidera na lista dos eventos extremos que mais cria
desastres no mundo. Moçambique é um dos países mais afectados pelas inundações na África,
registando mais de 20 inundações nos últimos 30 anos, com consequências negativas para a
vida das populações e para a economia do país. A tomada de medidas de mitigação aos eventos
climáticos faz parte de um dos objectivos do desenvolvimento sustentável, sendo o
mapeamento de áreas de risco das inundações uma das ferramentas úteis no processo de
redução de risco de desastres. O presente estudo tem como objectivo mapear as áreas de
inundação na bacia do rio Búzi usando o GIS Flood Tool (GFT), fazendo a comparação com a
mancha de inundação da imagem de satélite aquando da passagem do ciclone tropical IDAI.
Para o mapeamento das áreas de inundação foi usado o Modelo Digital de Elevação (MDE)
aplicada a ferramenta GFT que envolve a implementação da equação de Manning para fluxo
constante em um canal aberto ao longo do rio. A estimativa dos caudais máximos foi calculada
usando método de análise de risco de cheias, e as extensões de inundação geradas pelo
algoritmo foram validadas através de comparação com as extensões extraídas das imagens de
satélite do mesmo período. Os resultados mostram a probabilidade de ocorrência de um evento
similar num intervalo de 200 a 1000 anos. O mapeamento feito pelo GFT em diferentes níveis
de inundação indicam que para o nível 1 a área inundada é de aproximadamente 170 km 2 , o
nível 2 ocupa uma área de aproximadamente 500 km 2 e o nível 3 uma área de aproximadamente
1200 km 2 , colocando em risco cerca de 12400 habitantes, 26 escolas e 7 unidades sanitárias. A
bacia do Búzi é mais susceptível ao fenómeno da inundação na parte jusante, esta
susceptibilidade está associada a declividade visto que apresenta altitudes mais baixas variando
de 0 a 230 metros. As conclusões obtidas por este estudo fornecem dados para possíveis
intervenções público-privadas na identificação dos locais óptimos para a implantação de
infraestruturas e encontrar a melhor medida de mitigação das inundações