Abstract:
As demências são cada vez mais frequentes na população mundial, uma vez que tanto a
incidência quanto a prevalência está associada à idade. O estigma associado à demência pode
afetar significativamente a qualidade do cuidado prestado aos pacientes de várias maneiras. O
presente estudo visou avaliar o estigma nos profissionais de saúde em relação aos pacientes
com demência em seguimento nas consultas externas de Neurologia e Geriatria do Hospital
Central do Maputo. O método de pesquisa aplicado, foi qualitativo e contou com uma amostra
de 22 profissionais de saúde que atendem pacientes com demência. Os dados foram colhidos
com recurso à entrevista semiestruturada, um questionário de estigma e uma escala de atitudes
de doença mental. O tratamento dos dados foi com recurso a técnica de análise de conteúdo da
Bardin. Os resultados do estudo apontam uma variação no conhecimento dos participantes
sobre os aspetos gerais da demência, onde os médicos apresentaram um conhecimento mais
amplo e aprofundado em comparação aos demais profissionais de saúde; nas práticas,
evidenciou-se limitações e algumas dificuldades no atendimento aos pacientes com demências,
este processo é tido como desafiador por conta da escassez de recursos e baixas condições para
um atendimento digno; nas atitudes destes profissionais perante pacientes com demência,
notou-se diferença naqueles que trabalham diretamente e aqueles que não trabalham
diretamente com estes pacientes, onde os primeiros apresentam atitudes favoráveis e empáticas,
em quanto os outros apresentam atitudes não favoráveis e conceções estereotipadas. Portanto,
recomendou-se a intensificação da literacia sobre a demência e a saúde mental nos profissionais
de saúde