Abstract:
A violência praticada por parceiro íntimo (VPI) destaca-se como a forma mais comum de
violência contra a mulher, atinge cerca de 30 % das mulheres a nível global sendo África uma das regiões
com elevada prevalência (36.6%) OMS (2014). Este fenómeno (VPI) apresenta- se, na actualidade, como
um grave problema de saúde pública a nível mundial, deixando de ser questão de uma determinada região
ou cultura. Ela afecta a todos independentemente de raça, religião etnia ou classe social. A violência
manifesta-se de diferentes formas podendo ser: física, sexual, psicológica, patrimonial e/ou económica.
Moçambique é um dos países em que a violência contra a mulher, praticada por parceiro íntimo já tomou
proporções alarmantes, despertando a atenção dos investigadores e organizações sociais a empreenderem
esforços de modo a combater este mal. Objectivo: A presente pesquisa realizada no Estabelecimento
Penitenciário Provincial de Gaza, objectivou avaliar o perfil sociodemográfico e de personalidade do
abusador nos casos de violência por parceiro íntimo. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal de
base descritiva com abordagem mista e a amostra foi constituída por 15 abusadores reclusos que se
encontravam a cumprir pena de prisão por violência a parceira íntima. De modo a serem alcançados os
objectivos propostos os dados foram recolhidos através da consulta do processo de cada recluso, da
técnica de entrevista semiestruturada e a aplicação do instrumento EPQ-R (Eysenck) para avaliação de
características de personalidade e foram processados e analisados com o auxílio do programa estatístico
SPSS, versão 20. Resultados: Os resultados da pesquisa revelam que o perfil dos abusadores contra a
parceira íntima é caracterizado por jovens e adultos (40% entre 20-29 anos; 33,3% entre 40-49 anos, com
baixa escolaridade, (46.7%), solteiros (73.3%), sem formação profissional (66.7%) com instabilidade
laboral e actuando em trabalho informal (53.3%). A violência praticada foi principalmente contra esposas
(53.3%) e namoradas (40%), envolvendo agressões físicas e psicológicas (40%), motivadas por ciúmes
(86,7%), consumo de álcool e drogas (46,7%). Muitos eram reincidentes, tinham histórico de violência na
infância (53.3%) e apresentam consumo frequente de álcool e drogas (46.7%). A maioria (93.3%)
demonstrou comportamentos controladores e 86.7% de ciúmes excessivos, com 53,3% de extroversão
33,3% de neuroticismo e 6.7% de psicoticismo. Conclusão: O perfil dos abusadores é definido por
condições socioeconómicas vulneráveis, comportamentos violentos recorrentes e características
psicológicas que aumentam a probabilidade de práticas abusivas. Além disso, observou-se uma elevada
incidência de comportamentos controladores e ciúmes excessivos bem como o consumo de substâncias
psicoactivas factores críticos para a manutenção e agravamento da violência