Abstract:
A depressão, ansiedade e stress durante a gravidez constituem importantes problemas de saúde pública,
capazes de comprometer a saúde materna e fetal, resultando em desfechos adversos como parto prematuro, baixo peso
a nascença e prejuízo no vínculo mãe-bebé. Em Moçambique, a escassez de estudos que mensurem a magnitude desses
transtornos limita a formulação de políticas de saúde mental perinatal e o desenvolvimento de estratégias preventivas.
Objectivo: Este estudo teve como objectivo investigar a prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e stress em
gestantes atendidas nos centros de saúde do Alto Maé e Zimpeto, bem como identificar factores sociodemográficos e
clínicos associados. Metodologia: Realizou-se um estudo transversal de abordagem quantitativa com 229 gestantes
que realizavam consultas pré-natais nessas unidades sanitárias de Maputo, em maio de 2025. Os dados foram
recolhidos mediante questionário sociodemográfico e clínico, além das escalas DASS-21 (Depression, Anxiety and
Stress Scale) e PHQ-9-MZ (Patient Health Questionnaire). As análises foram conduzidas no SPSS 27.0, utilizando
estatística descritiva para estimar as prevalências e regressão de Poisson para examinar factores associados, com nível
de significância de 5%. Resultados: A prevalência de sintomas depressivos foi de 80,3% pelo PHQ-9-MZ e 59,4%
pela DASS-21, sendo que 32,2% apresentaram depressão moderada a grave. A ansiedade foi identificada em 65,9%
das gestantes, com 19,2% em nível extremamente severo. O stress apresentou prevalência de 24,9%, com 14,4% de
intensidade moderada ou superior. As análises inferenciais indicaram que variáveis como estado civil, composição
domiciliar, ocupação e religião apresentaram associação significativa com a ocorrência de sintomas de sofrimento
psicológico. A consistência interna das subescalas do DASS-21 demonstrou α de Cronbach satisfatório (>0,70),
confirmando boa confiabilidade dos instrumentos. Discussão: A elevada prevalência de sintomas depressivos, de
stress e ansiosos observada indica não apenas sofrimento individual, mas também fragilidades estruturais no suporte
psicossocial à gestante. Esses resultados dialogam com a teoria psiconeuroendocrinoimunológica, sugerindo que
condições de vulnerabilidade social e stress crônico podem amplificar respostas neuroendócrinas adversas. O
predomínio de sintomas moderados e graves reforça a hipótese de sobrecarga emocional cumulativa, associada a
contextos de desigualdade e à limitada abordagem integral nos cuidados pré-natais. Conclusões: Os resultados
evidenciam elevada prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e stress entre gestantes de Maputo, superando as
taxas observadas em outros contextos africanos e internacionais. Tais achados revelam a magnitude do sofrimento
mental perinatal e a necessidade urgente de integração do rastreio psicológico nos cuidados pré-natais de rotina.
Sugere-se que o sistema de saúde incorpore protocolos de triagem e acompanhamento psicológico adaptados
culturalmente, com capacitação de profissionais de cuidados primários para o reconhecimento precoce e o
encaminhamento adequado dos casos